Estou pensando em comprar um caiaque. Não precisa ser novo, não precisa ser o melhor, mas estou pensando em comprar um caiaque. Pode até ser usado, com a pintura descascada, mas preciso comprar o caiaque. Se souber de alguém que está interessado peço que me avise. Mas se você está curioso, não se preocupe, irei lhe contar o motivo do meu interesse.
Está chovendo muito na capital paraense. Os primeiros seis meses do ano são marcados pelas fortes chuvas que ocorrem com maior freqüência no período da tarde. Mas observamos também durante as manhãs, noites ou durante o dia todo. E quando chove durante todo o dia, 24 horas sem parar, surge de bueiros e canais um grande problema da cidade de Belém. Vários pontos ficam alagados impossibilitando o trânsito de pessoas e veículos. Engana-se quem pensa que estamos falando de um palmo e três dedos de altura da água. Vemos pessoas “engolidas” até a linha da cintura, desafiando buracos, canais e doenças que utilizam os alagamentos para encontrarem novos moradores. Problema da administração pública? Sim. Falta de educação por parte de moradores que sujam as ruas sem pensar nas conseqüências? Não tenho dúvida que isso acontece. Mas sou um simples morador da intitulada metrópole da Amazônia, e a cada dia que passa, mais fico descrente do poder de mudança de cada um. Às vezes sinto o comodismo da população que prefere fazer barulho a realmente lutar pelas melhoras que tanto desejam. Se me perguntarem se eu acredito que isso mudará um dia, responderei que não. Há 20 anos a situação era essa e continua sendo. Não adianta fechar os olhos e fingir que o problema não existe. Já dizia o velho e sábio ditado popular: Quem não tem cão, caça com gato. Acho que isso se aplica muito bem no problema do morador da capital paraense, inclusive no meu. Como muitos, tenho minha atividade profissional e preciso me deslocar até lá diariamente. Não fica nem muito longe nem muito perto. Ir andando seria loucura diante do problema da violência. Não tenho carro. O que me resta é o bom e velho coletivo. Mas como ir de ônibus se nem mesmo eles conseguem mais atravessar locais alagados? Não posso ficar ilhado, tenho muitas coisas a fazer. O que me resta, então? O CAIAQUE. Por isso digo que quero comprar um caiaque. Não precisa ser novo, pode ser usado e de preferência com preço acessível. É a única forma de me deslocar e pensando bem, já tenho em casa um colete e remo que não tinham utilidade alguma. Agora vão ter. Não gastarei com passagem de ônibus, muito menos com o preço abusivo da gasolina. Entrarei em forma e os músculos do meu braço ficarão definidos. É um excelente exercício físico. Quem sabe poderei começar no amadorismo e um dia poderei representar meu país nos jogos olímpicos. Já que a administração publica não trabalha pra resolver, poderia, pelo menos, investir na canoagem de rua de Belém. A secretaria de esportes poderia montar percursos em ruas com alto potencial para o esporte, como: Mundurucus, Pariquis, Padre Eutíquio e Roberto Camelier. Se Mônaco possui o circuito de rua mais charmoso do automobilismo mundial, poderemos ter o circuito de canoagem de rua mais charmoso do mundo. Deixo meu recado: quero comprar um caiaque. Se alguém souber de um bom produto com bom preço, me avise. Resumindo, caiaque é: transporte eficiente, saúde, formador de atletas olímpicos e gerador de dinheiro para a cidade no final de semana do Grande Prêmio Belém de Canoagem. Detalhe: a data ainda não foi definida pela secretaria de esportes. Motivo: não se sabe quando teremos uma nova e forte chuva na capital.
Gabriel Medeiros
ffff
ResponderExcluirVamos continuar votando, vamos, eu lhe ajudo a encontrar a solução, vamos, vamos lá. Falaremos com aquele moço, é... o metalúrgico eleito pelo povo, como ele é bommmm. Vamos ele nos indicará como contratar, comprar, adquirir uma aeronave, é, mano o aerolula irá soluicionar nossos problemas, ele está muito preocupado como a aqisição do seu caiaque.
ResponderExcluirEntre os sobrinhos, eu sabia que esse dom não era privilégio só da Alessandra.
ResponderExcluirMuito legal, Gabriel. Gostei, vou acompanhar.
Cleoni